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O heroísmo dos profissionais da saúde

07 de April de 2020 - 08:44 | Cidades

Maracaju em Foco - Notícias - O heroísmo dos profissionais da saúde

Iran Coelho das Neves*

A História nos ensina que é diante de desafios inauditos, no confronto com as grandes tragédias – ou na iminência delas – quando avultam a grandeza de espírito, a têmpera e a determinação de homens raros, capazes de inspirar e liderar os que vão se submeter ao sacrifício, muitas vezes da própria vida, em defesa do Bem coletivo. Seja esse Bem a liberdade, ameaçada pela tirania; os direitos fundamentais, afrontados pela barbárie; ou a vida de milhões de seres humanos, exposta ao risco de dizimação em todos os cantos do planeta, como ocorre hoje.

Quando falamos desses homens raros, logo nos ocorre a figura extraordinária de Winston Churchill, cuja liderança e determinação lhe permitiram consolidar a aliança que derrotaria o nazismo, preservando os valores da Civilização e aniquilando a insanidade brutal representada pelo projeto de dominação genocida de Hitler.

Porém, o heroísmo que aflora em momentos como o que vivemos hoje, de grave crise sanitária global, é de gênese diferente daquele que confere a estadistas, guerreiros ou pacifistas, altar permanente no memorial da História.

Os heróis deste momento traumático para toda a humanidade, assolada pelo fantasma tão invisível quanto real e ameaçador do novo coronavírus, são da estirpe dos que se engrandecem no anonimato – que honroso paradoxo! – da entrega absoluta à luta desafiadora, temerária, para salvar vidas alcançadas pela covid-19.

Os profissionais da saúde são esses autênticos heróis de uma guerra que se trava ao redor do mundo, contra um inimigo desconhecido e perigosamente mortal.

Ao contrário dos soldados que, nas guerras que ainda agora atormentam dezenas de milhões de pessoas, portam armas mortíferas para abater inimigos que odeiam sem conhecer, médicos, enfermeiros, técnicos e todo o dedicado pessoal que lhes dá suporte, estão aquartelados em hospitais e unidades de saúde, onde se dedicam até o extremo de sua competência e de sua capacidade física para salvar as vítimas abatidas pelo novo coronavírus.

Esses heróis travam uma luta insana e, não raro, desigual – pela falta de equipamentos vitais e de outros recursos médicos e terapêuticos – e desumana, pelos plantões duplos ou triplos, isolamento familiar e exposição ao vírus, de cujos malefícios tentam livrar seus pacientes.

Infelizmente, milhares desses combatentes têm sido infectados e muitos morrem vitimados pela covid-19. Não por acaso, o nome que ficará como referência trágica dessas mortes em batalhas contra o novo coronavírus é o do jovem médico oftalmologista chinês Li Wenliang, que trabalhava no Hospital Central de Wuhan.

Ele foi um dos primeiros a alertar sobre o surto. Por isso foi investigado e repreendido pelas autoridades chinesas, sob a pérfida acusação de “espalhar boatos”. Morreu a 6 fevereiro, vítima da covid-19, quando a doença ainda não tinha essa designação e Wuhan marchava para se tornar o epicentro da pandemia na China.

Em países como Itália e Espanha, onde a pandemia fugiu ao controle, o número dos “combatentes de jaleco branco” – no dizer da imprensa desses países – contaminados pelo novo coronavírus chegava a quase doze mil no último dia 30. Somente na Itália eram mais 6,4 mil profissionais de saúde infectados, e nada menos que setenta médicos haviam morrido em decorrência da covid-19.

Esses números dramáticos dão bem a dimensão do nível de estresse a que são submetidos médicos, enfermeiros e todo o pessoal de apoio que estão na linha de frente do combate à pandemia.

No Brasil, onde, segundo autoridades e especialistas, a expansão do contágio atingirá seu ápice nas próximas semanas – com a concreta ameaça de saturação da rede hospitalar – já tivemos centenas de profissionais de saúde infectados, com a morte de pelo menos dois médicos vitimados pela covid-19.

Como em nosso país o auge da penosíssima guerra contra esse inimigo implacável se avizinha, a nação tem certeza de que conta, mais do que em qualquer outro momento de sua história, com a competência e a extrema dedicação dos nossos “combatentes de jaleco branco”.  

*Iran Coelho das Neves é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

VÍDEOS EM FOCO: Assista nossas principais reportagens em vídeo, mesmo não estando no Facebook, clique aqui.

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Quando falamos desses homens raros, logo nos ocorre a figura extraordinária de Winston Churchill, cuja liderança e determinação lhe permitiram consolidar a aliança que derrotaria o nazismo, preservando os valores da Civilização e aniquilando a insanidade brutal representada pelo projeto de dominação genocida de Hitler.

Porém, o heroísmo que aflora em momentos como o que vivemos hoje, de grave crise sanitária global, é de gênese diferente daquele que confere a estadistas, guerreiros ou pacifistas, altar permanente no memorial da História.

Os heróis deste momento traumático para toda a humanidade, assolada pelo fantasma tão invisível quanto real e ameaçador do novo coronavírus, são da estirpe dos que se engrandecem no anonimato – que honroso paradoxo! – da entrega absoluta à luta desafiadora, temerária, para salvar vidas alcançadas pela covid-19.

Os profissionais da saúde são esses autênticos heróis de uma guerra que se trava ao redor do mundo, contra um inimigo desconhecido e perigosamente mortal.

Ao contrário dos soldados que, nas guerras que ainda agora atormentam dezenas de milhões de pessoas, portam armas mortíferas para abater inimigos que odeiam sem conhecer, médicos, enfermeiros, técnicos e todo o dedicado pessoal que lhes dá suporte, estão aquartelados em hospitais e unidades de saúde, onde se dedicam até o extremo de sua competência e de sua capacidade física para salvar as vítimas abatidas pelo novo coronavírus.

Esses heróis travam uma luta insana e, não raro, desigual – pela falta de equipamentos vitais e de outros recursos médicos e terapêuticos – e desumana, pelos plantões duplos ou triplos, isolamento familiar e exposição ao vírus, de cujos malefícios tentam livrar seus pacientes.

Infelizmente, milhares desses combatentes têm sido infectados e muitos morrem vitimados pela covid-19. Não por acaso, o nome que ficará como referência trágica dessas mortes em batalhas contra o novo coronavírus é o do jovem médico oftalmologista chinês Li Wenliang, que trabalhava no Hospital Central de Wuhan.

Ele foi um dos primeiros a alertar sobre o surto. Por isso foi investigado e repreendido pelas autoridades chinesas, sob a pérfida acusação de “espalhar boatos”. Morreu a 6 fevereiro, vítima da covid-19, quando a doença ainda não tinha essa designação e Wuhan marchava para se tornar o epicentro da pandemia na China.

Em países como Itália e Espanha, onde a pandemia fugiu ao controle, o número dos “combatentes de jaleco branco” – no dizer da imprensa desses países – contaminados pelo novo coronavírus chegava a quase doze mil no último dia 30. Somente na Itália eram mais 6,4 mil profissionais de saúde infectados, e nada menos que setenta médicos haviam morrido em decorrência da covid-19.

Esses números dramáticos dão bem a dimensão do nível de estresse a que são submetidos médicos, enfermeiros e todo o pessoal de apoio que estão na linha de frente do combate à pandemia.

No Brasil, onde, segundo autoridades e especialistas, a expansão do contágio atingirá seu ápice nas próximas semanas – com a concreta ameaça de saturação da rede hospitalar – já tivemos centenas de profissionais de saúde infectados, com a morte de pelo menos dois médicos vitimados pela covid-19.

Como em nosso país o auge da penosíssima guerra contra esse inimigo implacável se avizinha, a nação tem certeza de que conta, mais do que em qualquer outro momento de sua história, com a competência e a extrema dedicação dos nossos “combatentes de jaleco branco”.  

*Iran Coelho das Neves é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

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