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Artigo - Volta às Escolas: A retomada do Ensino Presencial

24 de October de 2021 - 07:12 | Cidades

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Iran Coelho das Neves*

Pelo seu caráter de prioridade e de urgência na busca de atenuar enormes perdas, mas também pelo que traz de significado simbólico, a plena volta às aulas presenciais assinala momento tão desafiante quanto alentador para a educação e para toda a sociedade.

Naturalmente, ainda persistirá por algum tempo a necessidade de medidas de biossegurança, para garantir a proteção de crianças e adolescentes contra a infecção do coronavírus – que ainda está aí –, e, com isso, passar aos pais a confiança de que seus filhos estarão seguros no ambiente escolar. A maioria dos especialistas, tanto em educação quanto em saúde, afirma que a retomada do ensino presencial já pode se dar de maneira segura.   

O prolongado fechamento das escolas redundou na “maior crise educacional já enfrentada pelo Brasil”, segundo a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), socióloga Maria Helena de Guimarães Castro. Retrocessos de aprendizado, problemas socioemocionais entre estudantes e professores, explosão da evasão escolar e aprofundamento da desigualdade estão entre os componentes dessa crise, diz ela.

Agora, a partir da retomada do ensino presencial, se poderá ter a dimensão humana e social desse período crítico, cujas repercussões mais graves e duradouras se abateram sobre a rede pública, responsável por 85% da educação básica brasileira, e onde estão 87% dos estudantes do ensino médio, a grande maioria dos quais não teve acesso à conectividade.

Dezenas de milhares desses estudantes impedidos de participar de aulas remotas enfrentarão o próximo Enem em profunda desvantagem diante de candidatos oriundos da rede particular. Que obviamente tiveram condições muito melhores de aprendizado durante a pandemia. E, portanto, ficarão com o maior número de vagas no ensino superior público, ampliando ainda mais o quadro de desigualdade estrutural na educação do país.

O bem-vindo retorno às aulas presenciais não significará, obviamente, a pronta recuperação do enorme prejuízo causado a crianças, adolescentes e jovens, especialmente àqueles sem condições de acessar aulas online.

Contudo, essa volta dos estudantes às salas de aula aponta para o fim de longo e penoso processo, em que alunos, professores e toda a comunidade escolar, especialmente da rede pública, tiveram de improvisar alternativas. Que, apesar de todo esforço e criatividade de professores e gestores escolares, não alcançaram os filhos de famílias de baixa renda.

Em 2020, censo escolar apontou que, por conta da pandemia, cerca de cinco milhões de crianças e adolescentes estavam fora da escola. Desses, mais de 40% tinham entre seis e dez anos.

São números muito preocupantes quando se sabe que principalmente para as crianças – mas não só para elas – o fechamento das escolas por período tão longo causou impactos que vão do atraso na aprendizagem a problemas na nutrição, na saúde mental, na socialização e na proteção contra a violência, como observa o infectologista Marco Aurélio Safadi, ao defender a volta às aulas com protocolos de biossegurança.

Por isso, nas atuais circunstâncias, de baixo índice de infecção e alto número de imunizados, a retomada das aulas presenciais, ainda com os cuidados necessários, é oportuna e providencial não só para resgatar o processo natural de aprendizado, mas para devolver às crianças e adolescentes “o espaço de sociabilidade, onde interagem com amigos e professores, conhecem pessoas diferentes e têm acesso ao pluralismo de ideias, à diversidade”, como diz a presidente do CNE.

E há ainda o significado simbólico de que falávamos no início. A volta da saudável balbúrdia de estudantes que, ao término das aulas, inundam as ruas de impetuosa descontração, certamente renova em todos nós a certeza de que o pior ficou para trás, e que um futuro promissor está sendo moldado em cada sala de aula.

*Iran Coelho das Neves é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

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Naturalmente, ainda persistirá por algum tempo a necessidade de medidas de biossegurança, para garantir a proteção de crianças e adolescentes contra a infecção do coronavírus – que ainda está aí –, e, com isso, passar aos pais a confiança de que seus filhos estarão seguros no ambiente escolar. A maioria dos especialistas, tanto em educação quanto em saúde, afirma que a retomada do ensino presencial já pode se dar de maneira segura.   

O prolongado fechamento das escolas redundou na “maior crise educacional já enfrentada pelo Brasil”, segundo a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), socióloga Maria Helena de Guimarães Castro. Retrocessos de aprendizado, problemas socioemocionais entre estudantes e professores, explosão da evasão escolar e aprofundamento da desigualdade estão entre os componentes dessa crise, diz ela.

Agora, a partir da retomada do ensino presencial, se poderá ter a dimensão humana e social desse período crítico, cujas repercussões mais graves e duradouras se abateram sobre a rede pública, responsável por 85% da educação básica brasileira, e onde estão 87% dos estudantes do ensino médio, a grande maioria dos quais não teve acesso à conectividade.

Dezenas de milhares desses estudantes impedidos de participar de aulas remotas enfrentarão o próximo Enem em profunda desvantagem diante de candidatos oriundos da rede particular. Que obviamente tiveram condições muito melhores de aprendizado durante a pandemia. E, portanto, ficarão com o maior número de vagas no ensino superior público, ampliando ainda mais o quadro de desigualdade estrutural na educação do país.

O bem-vindo retorno às aulas presenciais não significará, obviamente, a pronta recuperação do enorme prejuízo causado a crianças, adolescentes e jovens, especialmente àqueles sem condições de acessar aulas online.

Contudo, essa volta dos estudantes às salas de aula aponta para o fim de longo e penoso processo, em que alunos, professores e toda a comunidade escolar, especialmente da rede pública, tiveram de improvisar alternativas. Que, apesar de todo esforço e criatividade de professores e gestores escolares, não alcançaram os filhos de famílias de baixa renda.

Em 2020, censo escolar apontou que, por conta da pandemia, cerca de cinco milhões de crianças e adolescentes estavam fora da escola. Desses, mais de 40% tinham entre seis e dez anos.

São números muito preocupantes quando se sabe que principalmente para as crianças – mas não só para elas – o fechamento das escolas por período tão longo causou impactos que vão do atraso na aprendizagem a problemas na nutrição, na saúde mental, na socialização e na proteção contra a violência, como observa o infectologista Marco Aurélio Safadi, ao defender a volta às aulas com protocolos de biossegurança.

Por isso, nas atuais circunstâncias, de baixo índice de infecção e alto número de imunizados, a retomada das aulas presenciais, ainda com os cuidados necessários, é oportuna e providencial não só para resgatar o processo natural de aprendizado, mas para devolver às crianças e adolescentes “o espaço de sociabilidade, onde interagem com amigos e professores, conhecem pessoas diferentes e têm acesso ao pluralismo de ideias, à diversidade”, como diz a presidente do CNE.

E há ainda o significado simbólico de que falávamos no início. A volta da saudável balbúrdia de estudantes que, ao término das aulas, inundam as ruas de impetuosa descontração, certamente renova em todos nós a certeza de que o pior ficou para trás, e que um futuro promissor está sendo moldado em cada sala de aula.

*Iran Coelho das Neves é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

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