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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526
20 out 2026 23:06:47
| Colunista em Foco

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Foto de Capa: Cedida por Dr. Cássio Mendes - Divulgação
Do fortalecimento muscular às terapias intra-articulares, a medicina oferece diferentes caminhos para cuidar da artrose. Entenda como escolher o tratamento mais adequado para cada pessoa.
Por Dr. Cássio Mendes — CRM 10625 | RQE 6272
Imagine duas pessoas da mesma idade, ambas com exames mostrando desgaste semelhante nos joelhos. Uma continua caminhando, trabalhando e realizando suas atividades normalmente. A outra sente dores intensas, dificuldade para subir escadas e até para dormir.
Por que isso acontece?
A resposta está em um dos princípios mais importantes da medicina: não tratamos apenas exames, tratamos pessoas.
Cada paciente possui sua própria história, intensidade de dor, condição física, necessidades e expectativas. Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de tratamentos completamente diferentes.
A boa notícia é que ter artrose não significa necessariamente conviver com dor constante ou precisar de cirurgia. Atualmente, existem diferentes possibilidades terapêuticas que podem melhorar a mobilidade, reduzir o desconforto e contribuir para uma vida mais ativa.
A artrose, também conhecida como osteoartrite, provoca alterações progressivas na cartilagem, no osso e em outras estruturas da articulação.
A cartilagem funciona como uma superfície lisa, permitindo que os ossos deslizem suavemente durante os movimentos. Com a artrose, essa estrutura pode sofrer modificações, acompanhadas de processos inflamatórios e alterações na distribuição das cargas.
Os sintomas mais comuns são dor, rigidez, inchaço e dificuldade para caminhar ou subir escadas.
Entretanto, o desgaste observado na radiografia nem sempre corresponde à intensidade da dor. É por isso que a avaliação médica deve considerar muito mais do que as imagens.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, permanecer em repouso não costuma ser a melhor solução.
A fisioterapia, os exercícios orientados e o fortalecimento muscular ajudam a melhorar a estabilidade do joelho, reduzir os sintomas e recuperar a confiança nos movimentos.
Quando necessário, o controle do peso também contribui para diminuir a sobrecarga articular.
Essas medidas formam a base do tratamento e podem ser associadas a medicamentos ou procedimentos específicos, conforme a necessidade de cada paciente.
O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente no líquido articular, responsável por importantes propriedades de lubrificação e absorção de impactos.
Sua aplicação no joelho, chamada viscossuplementação, busca melhorar as características desse líquido e aliviar os sintomas da artrose.
Alguns pacientes relatam redução da dor e maior facilidade para realizar atividades cotidianas após o procedimento.
Embora estudos apresentem resultados variados e importantes diretrizes não recomendem sua utilização rotineira, a viscossuplementação pode ser discutida individualmente, considerando possíveis benefícios, riscos e alternativas.
O plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, representa outra possibilidade de tratamento complementar.
A técnica utiliza uma pequena amostra de sangue do próprio paciente, processada para concentrar plaquetas e substâncias biologicamente ativas.
Esse material pode ser aplicado na articulação com o objetivo de contribuir para o controle da dor e a melhora da função.
Estudos clínicos demonstram resultados favoráveis em determinados pacientes, especialmente na artrose leve ou moderada, embora os benefícios variem conforme a preparação e a indicação.
Em julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamentou o uso do PRP como tratamento auxiliar para condições específicas, incluindo a artrose do joelho.
O procedimento não deve ser confundido com uma regeneração comprovada da cartilagem, mas constitui uma alternativa complementar que pode ser avaliada dentro de um plano individualizado.
A evolução dos biomateriais também trouxe novas possibilidades de investigação e tratamento.
Os hidrogéis são materiais com elevada capacidade de retenção de água, disponíveis em diferentes composições e formulações.
Determinados hidrogéis injetáveis vêm sendo estudados para melhorar sintomas articulares. Pesquisas iniciais apresentam resultados encorajadores para redução da dor e melhora da função em alguns pacientes.
Entretanto, ainda existem diferenças importantes entre os produtos e limitações nas evidências científicas disponíveis. A indicação depende da composição específica, dos estudos clínicos e da situação regulatória de cada material.
Em quadros avançados, a dor e a limitação podem permanecer intensas apesar do tratamento não cirúrgico.
Nessas situações, a prótese de joelho pode proporcionar melhora significativa da dor, da mobilidade e da qualidade de vida.
A cirurgia substitui as superfícies articulares comprometidas por componentes protéticos, permitindo recuperar parte importante da função.
Sua indicação considera a intensidade dos sintomas, o impacto na rotina, os riscos e as expectativas individuais.
Não existe uma resposta única.
Alguns pacientes melhoram com fisioterapia e fortalecimento. Outros podem se beneficiar de medicamentos, infiltrações ou procedimentos complementares. Em determinadas situações, a cirurgia será a alternativa mais apropriada.
A escolha depende de uma avaliação cuidadosa, que considere os sintomas, o exame físico, as imagens e os objetivos de cada pessoa.
A medicina moderna não deve se limitar a tratar o desgaste que aparece no exame. Seu verdadeiro compromisso é cuidar da pessoa que convive com a dor.
Porque o objetivo do tratamento não é apenas melhorar um joelho, mas ajudar alguém a voltar a caminhar com confiança, realizar suas atividades e aproveitar a vida com mais autonomia.
Dr. Cássio Mendes
Médico ortopedista — CRM 10625 | RQE 6272
NICE. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management. NG226, 2022.
https://www.nice.org.uk/guidance/NG226/chapter/recommendations
AAOS. Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty).
Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464/2026.
https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2026/2464
Bliddal H et al. Effectiveness and safety of polyacrylamide hydrogel injection for knee osteoarthritis: results from a 12-month follow up of an open-label study. J Orthop Surg Res. 2024;19:274.
DOI: 10.1186/s13018-024-04756-2.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38698396/
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