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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526

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Maracaju ouve mais de 800 crianças para orientar revisão do Plano Municipal da Primeira Infância

28 out 2026 20:50:40

| Última Hora

Maracaju ouve mais de 800 crianças para orientar revisão do Plano Municipal da Primeira Infância


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Ação intersetorial analisou desenhos de alunos de 3 a 6 anos da Rede Municipal de Ensino para subsidiar a atualização de metas e prioridades do município.

Dando um passo decisivo na construção participativa de suas políticas públicas, o Comitê Municipal Intersetorial Permanente de Monitoramento e Avaliação do Plano Municipal da Primeira Infância (PMPI) realizou, no dia 22 de outubro de 2026, a sua Oficina de Escuta Ativa com base na produção de crianças de 3 a 6 anos dos Centros Integrados de Educação Infantil (CIEIs) e Escolas da Rede Municipal de Ensino.

A iniciativa dá cumprimento direto às diretrizes da Lei Municipal nº 2.187, de 11 de novembro de 2024, que instituiu o PMPI, contemplando a Meta 15 ("Realizar anualmente a escuta das crianças da Primeira Infância") e a Ação 15.1 ("Promover a escuta anual das crianças em parceria com Escolas e Cieis, para redirecionamento das metas"). A atividade reforça o princípio de que escutar as crianças é reconhecê-las como cidadãs, sujeitos de direitos e vozes ativas no planejamento de Maracaju.

Um mosaico de anseios: o que os desenhos revelam

Durante os trabalhos preparatórios, foram analisados e tabulados 833 desenhos produzidos por turmas de Jardim II, Pré I, Pré II e 1º ano do Ensino Fundamental. As expressões dividiram-se entre 445 manifestações sobre o que as crianças gostariam de ver em Maracaju e 388 registros sobre o que elas preferem que não exista na cidade (com 295 produções descartadas por critérios técnicos de validação).

A síntese dos dados revelou uma mensagem clara: as crianças expressam uma forte demanda pelo direito à cidade e ao convívio comunitário. O Eixo 4 (Criança, Cultura, Espaço e Cidade) foi o mais expressivo, reunindo 50,9% de todos os registros (424 menções). Quando avaliada apenas a categoria dos desejos ("gostaria que tivesse"), o Eixo 4 concentrou 66,3% dos pedidos, evidenciando o anseio por praças acessíveis, parques estruturados, áreas arborizadas, equipamentos de lazer e eventos culturais. Essa percepção espacial aumentou gradativamente conforme a faixa etária: 55,7% no Jardim II; 48,5% no Pré I; 73,0% no Pré II; e expressivos 82,5% no 1º ano.

Por outro lado, ao registrarem o que não querem para o município, as crianças demonstraram sensibilidade em relação às vulnerabilidades cotidianas, dividindo seus apontamentos de forma equilibrada entre o Eixo 4 (33,2%), o Eixo 3 – Proteção (31,4%) e o Eixo 1 – Saúde (27,8%). Os desenhos apontaram inquietações com segurança, trânsito perigoso, violência, poluição, sujeira nas vias e doenças. O Eixo 2 – Educação somou 103 menções (12,4% do total geral).

Intersetorialidade e integração técnica

A oficina reuniu representantes de diversas secretarias municipais e conselhos sociais, refletindo a responsabilidade compartilhada pela infância. Estiveram representantes da Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Administração, Secretaria Municipal de Assistência Social, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Cultura, Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Planejamento e Fazenda, além de conselheiros do Conselho Municipal de Educação (CME) e do Conselho Municipal de Cultura (CMC).

A mesa de abertura contou com a presença da Secretária Municipal de Educação, Silvana Pádua de Oliveira Perosa, e da Coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS – Unidade Universitária de Maracaju), a Professora Doutora Eliane Ferronatto.

A Secretária Silvana Perosa ressaltou o empenho coletivo na viabilização do diagnóstico:

"Esta oficina só foi possível graças à dedicação irrestrita de todas as nossas equipes escolares — gestores, coordenadores pedagógicos, professores e funcionários administrativos —, somada à confiança dos pais e responsáveis que autorizaram a produção e o uso dessas expressões. É uma mobilização técnica e participativa que valoriza a visão dos nossos estudantes e subsidia a gestão pública.”

A Professora Dr.ª Eliane Ferronatto pontuou a relevância científica e metodológica do olhar acadêmico sobre os dados:

"Ouvir a criança a partir de suas próprias linguagens, sem projeções adultocêntricas ou juízos precipitados, confere legitimidade e rigor à elaboração das propostas. Os desenhos mostram como os pequenos sentem e vivenciam a cidade, apontando caminhos claros para onde o planejamento municipal deve avançar."

Da escuta ao planejamento: metodologia e encaminhamentos

Durante a dinâmica, os participantes dividiram-se em grupos de trabalho intersetoriais orientados pela pergunta reflexiva: "Se levássemos a sério o que as crianças estão nos dizendo, qual política pública precisaria olhar para isso?".

Munidos de fichas de análise padronizadas, os membros confrontaram os desenhos com as metas vigentes do PMPI, categorizando cada diagnóstico em três níveis:

1.  Já Contemplado: Demandas que já contam com metas ou ações instituídas;

2.  Precisa ser Fortalecido: Ações existentes que requerem ampliação de orçamento, alcance ou qualificação;

3.  Pode ser Acrescentado: Lacunas e necessidades identificadas pelas crianças que servirão de base para a formulação de novas metas e ações.

Como próximos passos imediatos, o Comitê realizará a consolidação e sistematização de todos os relatórios dos grupos de trabalho para subsidiar a elaboração do Plano de Trabalho de Revisão do PMPI na sua próxima reunião ordinária. Além disso, será estruturada uma devolutiva informativa para as Unidades Escolares e CIEIs da Rede, compartilhando com a comunidade escolar como as contribuições das crianças foram incorporadas às discussões de planejamento.

Com a premissa de que "escutar é mais do que ouvir: é considerar a perspectiva das crianças no planejamento da cidade", Maracaju reafirma seu compromisso de colocar as novas gerações no centro do diagnóstico de suas prioridades municipais.

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