Curta nossa FanPage
fb.com/mjuemfoco
Siga-nos
@maracajuemfoco
Siga-nos
@maracajuemfoco
Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526
21 ago 2026 15:49:29
| Política
GRUPO NO WHATSAPP: Clique aqui e acesse o grupo de notícias do Maracaju em Foco no WhatsApp.
A expansão da logística da celulose transforma a rotina de trabalhadores como George Gavioli Santos, em Aparecida do Taboado, e impulsiona novas profissões no leste de Mato Grosso do Sul. Sob o comando de Riedel, o Estado aposta na concessão de cerca de 870 quilômetros da Rota da Celulose e em novas conexões ferroviárias para acompanhar o avanço industrial, melhorar a segurança viária e integrar fábricas, terminais e portos, com investimentos públicos e privados de longo prazo.
Todos os dias, George Gavioli Santos acompanha uma espécie de balé de máquinas pesadas em Aparecida do Taboado.
Caminhões chegam carregados de celulose, os fardos são descarregados e organizados e, depois, transferidos para vagões que seguirão pelo interior paulista até o Porto de Santos. Para que tudo funcione, motoristas, operadores, mecânicos e trabalhadores de diferentes áreas precisam atuar em sintonia.
Há cinco anos na Suzano, onde trabalha como Analista de Operações Logística, George conhece por dentro essa engrenagem. “No dia a dia, acompanho uma operação que exige organização, controle, segurança e trabalho em equipe”, conta.
Para ele, porém, o impacto do terminal ferroviário não termina quando o trem deixa o pátio. A estrutura também mudou o horizonte profissional de moradores do município.
“A operação ferroviária abriu muitas portas para quem mora em Aparecida do Taboado. Hoje, vemos profissionais atuando em diversas funções dentro do terminal”, afirma. São operadores de empilhadeira, auxiliares de serviços gerais, mecânicos, soldadores, motoristas, maquinistas, manobradores e analistas.
George é um deles. E enxerga na própria trajetória a possibilidade de continuar avançando. “Tenho orgulho de fazer parte dessa história e pretendo continuar me qualificando para crescer cada vez mais dentro da Suzano.”
A rotina dele ajuda a traduzir uma transformação que ultrapassa os limites de Aparecida do Taboado. Com a expansão da indústria de celulose, Mato Grosso do Sul entrou em uma nova etapa: depois de atrair fábricas bilionárias, precisa garantir estradas, ferrovias e terminais capazes de acompanhar o crescimento da produção sem transformar corredores econômicos em caminhos de risco para quem mora, trabalha ou circula pela região.
Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, essa resposta passa pela combinação de investimentos públicos e privados em diferentes modais de transporte.
Em fevereiro de 2026, o governador assinou o contrato da Rota da Celulose, concessão de aproximadamente 870 quilômetros de rodovias. Paralelamente, teve início a implantação de um ramal ferroviário privado de cerca de 45 quilômetros entre a fábrica da Arauco, em construção em Inocência, e a Malha Norte.
São projetos de dimensões distintas, mas que procuram resolver o mesmo problema: fazer com que uma produção industrial localizada a centenas de quilômetros do litoral consiga chegar aos portos com segurança, eficiência e previsibilidade.
Aparecida do Taboado ocupa posição estratégica nesse novo desenho logístico por estar conectada à Malha Norte, que segue em direção ao Estado de São Paulo.
A Suzano inaugurou seu terminal intermodal no município em 2017 para escoar parte da produção de Três Lagoas. A Eldorado Brasil também utiliza uma estrutura ferroviária na cidade.
A operação mostra que ferrovia e rodovia não são concorrentes. Funcionam de forma complementar.
A celulose deixa as fábricas por caminhão. Ao chegar aos terminais, é retirada das carretas, armazenada por um período curto e embarcada nos trens que fazem os trajetos mais longos até o litoral.
“Ver essa integração funcionando de forma sincronizada mostra a relevância dessa atividade para toda a cadeia produtiva”, resume George.
Essa sincronização interfere diretamente no cotidiano. Se um caminhão atrasa, a carga demora a chegar. Se o trem não parte, o pátio começa a acumular fardos. Para quem dirige, a eficiência também aparece no tempo de espera, na qualidade das estradas e nas condições de segurança dos trajetos.
E há efeitos que ultrapassam os portões dos terminais.
Oficinas, alimentação, hospedagem, transporte de trabalhadores, segurança e manutenção ferroviária estão entre as atividades que podem ser movimentadas pela expansão logística. É quando uma infraestrutura inicialmente criada para transportar mercadorias começa também a criar raízes na economia dos municípios que atravessa.
A manutenção dos vagões é uma das etapas essenciais dessa engrenagem. Há dois anos na supervisão da ANX, Bruno da Silva Santos lidera em Aparecida do Taboado uma equipe formada por soldadores, mecânicos e profissionais administrativos.
Sua responsabilidade é manter os equipamentos disponíveis e em condições adequadas para a operação.
“Minha principal responsabilidade é garantir que todas as atividades sejam executadas com qualidade, agilidade e segurança, assegurando a disponibilidade dos vagões para a operação ferroviária”, explica.
Nesse trabalho, uma solda, um reparo ou uma revisão mecânica deixa de ser apenas uma tarefa técnica. É parte de uma cadeia que precisa funcionar sem interrupções para que a produção consiga percorrer centenas de quilômetros.
“Cada serviço realizado ajuda a garantir que o transporte ferroviário aconteça de forma segura e sustentável”, afirma Bruno.
Assim como George, ele destaca a abertura de espaço para profissionais da própria região.
“Tenho orgulho de ver profissionais da região desenvolvendo suas carreiras em diferentes funções e contribuindo diretamente para o crescimento do terminal.”
Essa é uma das faces menos visíveis dos grandes investimentos logísticos. Atrás dos quilômetros de ferrovia e das toneladas transportadas existem empregos técnicos, necessidade de qualificação e pequenos negócios que podem ganhar novos clientes ou maior estabilidade à medida que a atividade econômica se consolida.
Em Inocência, outro projeto promete modificar o desenho tradicional do transporte da celulose no Estado.
Um ramal privado de aproximadamente 45 quilômetros deverá ligar diretamente a fábrica da Arauco, em construção, à Malha Norte. O investimento anunciado é de cerca de R$ 1,2 bilhão.
Quando a unidade entrar em operação, a previsão é que sua produção anual estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose possa seguir pelos trilhos até o Porto de Santos.
A diferença está justamente no ponto de partida.
Com o novo sistema, os vagões poderão ser carregados dentro do próprio complexo industrial. “Isso reduz a necessidade de transportar toda a produção por rodovia até um terminal mais distante e pode diminuir custos, consumo de combustível e a circulação de veículos pesados em trajetos longos”, explica Riedel.
Para quem vive perto dessas rodovias, a mudança pode ser sentida de outra maneira: menos caminhões em determinados percursos representam potencialmente menos ultrapassagens perigosas e menor desgaste do pavimento.
Para a indústria, significa maior controle sobre prazos e custos de transporte.
Embora localizado em Inocência, o ramal mostra uma mudança mais ampla na logística estadual: a ferrovia deixa de ser apenas uma infraestrutura distante das fábricas e começa a avançar até o centro da produção.
A Eldorado Brasil também estuda uma ligação direta entre sua fábrica em Três Lagoas e a Malha Norte. Nesse caso, entretanto, o projeto ainda depende de decisões empresariais, regulatórias e ambientais e não pode ser tratado como obra já em execução.
A ampliação da ferrovia não reduz a importância das rodovias. Pelo contrário.
A madeira utilizada pelas fábricas continua chegando principalmente por caminhões. E pelas mesmas estradas utilizadas para transportar matéria-prima passam diariamente trabalhadores, moradores, ambulâncias, ônibus escolares e comerciantes.
É nesse contexto que a Rota da Celulose assume importância para além do setor industrial.
A concessão reúne trechos das rodovias MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267. São aproximadamente 870 quilômetros sob contrato de 30 anos, com previsão de R$ 10,1 bilhões entre investimentos, operação e manutenção.
O programa prevê 115 quilômetros de duplicações, 457 quilômetros de acostamentos, 245 quilômetros de terceiras faixas e 38 quilômetros de contornos urbanos. Ao final das intervenções previstas, os 870 quilômetros deverão possuir acostamentos.
Os números parecem abstratos até serem colocados na perspectiva de quem está ao volante.
Acostamento é espaço para parar durante uma emergência. Terceira faixa reduz a necessidade de ultrapassagens arriscadas atrás de caminhões mais lentos. Contornos urbanos podem retirar carretas das ruas centrais das cidades. Duplicações diminuem o conflito entre o trânsito local e os deslocamentos de longa distância.
As mudanças, entretanto, não ocorrerão de uma só vez.
Parte dos investimentos está distribuída ao longo dos 30 anos da concessão. A duplicação da BR-262 entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, por exemplo, tem investimento estimado em R$ 600 milhões e está prevista entre o segundo e o sexto ano do contrato.
A Agência Estadual de Regulação acompanha a execução e o cumprimento dos prazos.
Para Riedel, a assinatura da concessão representa apenas o começo de uma etapa que exigirá fiscalização permanente.
“A gestão será avaliada pela capacidade de fiscalizar prazos, corrigir atrasos e garantir que a infraestrutura atenda à produção sem ignorar quem utiliza as mesmas estradas para trabalhar, estudar ou procurar atendimento médico”, afirma.
O crescimento industrial traz empregos, arrecadação, novos serviços e oportunidades. Mas também produz pressão sobre a infraestrutura existente.
Mais fábricas significam maior circulação de cargas. Isso pode aumentar a presença de caminhões nas rodovias, pressionar travessias urbanas e tornar determinados trajetos mais perigosos caso as estradas não acompanhem a expansão econômica.
Por isso, logística não se resume ao preço do frete.
Para uma família, ela pode aparecer no tempo necessário para chegar ao trabalho. Para um motorista de ambulância, no percurso até um hospital. Para um comerciante, no movimento que passa diante do estabelecimento. Para um caminhoneiro, na possibilidade de concluir a viagem e voltar para casa em segurança.
“A integração entre rodovia e ferrovia pode tornar Mato Grosso do Sul mais competitivo, mas seu resultado também será medido pela redução de acidentes, pela conservação das estradas e pelos empregos criados nos terminais e serviços locais”, afirma Riedel.
É justamente nesse ponto que a experiência de George volta a dar dimensão humana aos grandes projetos.
Enquanto toneladas de celulose deixam Aparecida do Taboado todos os dias rumo ao litoral, ele acompanha uma cadeia feita de máquinas, trilhos e caminhões, mas também de gente aprendendo novas funções, buscando qualificação e construindo carreira.
O desafio dos próximos anos será fazer essa engrenagem crescer sem permitir que os corredores de desenvolvimento se transformem em caminhos de risco. A economia precisa de velocidade e eficiência. Quem vive ao lado dela precisa de algo igualmente concreto: estrada segura, trabalho, previsibilidade e oportunidade.
É quando essas duas dimensões se encontram que a infraestrutura deixa de ser apenas uma linha desenhada no mapa e passa a fazer parte da vida de quem mora nele.
Foto: Bruno Rezende
Youtube: Clique aqui e inscreva-se no Canal do Maracaju em Foco.
FARMÁCIA DE PLANTÃO: Confira aqui no "Maracaju em Foco" o calendário das Farmácias de Plantão, vá direto ao link a selecione o mês desejado, clique aqui.
VÍDEOS EM FOCO: Assista nossas principais reportagens em vídeo, mesmo não estando no Facebook, clique aqui.
Maracaju em Foco
A notícia em primeiro lugar!
Curta nossa página: https://www.facebook.com/mjuemfoco/
Siga-nos no Instagram: https://instagram.com/maracajuemfoco
Inscreva-se no nosso Canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/maracajuemfoco


ASSINE NOSSA NEWSLETTER
Receba por e-mail todas as novidades de Maracaju tudo em primeira mão!